Trabalho à distância: uma tendência ou uma indústria global?

Por incrível que pareça, há poucos anos, a questão do trabalho à distância era, ainda, uma realidade pouco clara e cimentada a nível global. Termos como “trabalho à distância” e “trabalho remoto” davam os seus primeiros passos. Setores como o da saúde, financeiro e o dos serviços encontravam-se, ainda, a desenvolver tentativas para definição de modelos operacionais digitais, os quais acabámos por vir a adotar de uma forma orgânica e natural.

De facto, parece impossível imaginar que esta era a realidade vivida até há bem pouco tempo. Porém, desde então, o conceito de trabalho remoto eclodiu à escala mundial, tornando-se num centro de atenções internacionais e, portanto, um tema bastante comum do quotidiano. Recentemente, assistimos ao surgimento de produtos e serviços que visam este regime de trabalho como um mercado. Desde eventos, escritórios de coworking, softwares, materiais de escritório, a programas relativos a viagens de trabalho – todos estes produtos e serviços, recentemente criados, estão a ser projetados, especificamente, para este target.

Contudo, com um mercado devidamente estabelecido, constituído por produtos e serviços específicos, surge uma questão essencial:  será que o trabalho à distância se estabeleceu e evoluiu, efetivamente, ao ponto de poder deixar de ser considerado apenas uma tendência? Será que se tornou numa indústria?

Se considerarmos a definição de indústria como “empresas de manufatura ou tecnicamente produtivas, num certo campo, país, região ou economia, coletivas ou individuais”, nesse caso, podemos afirmar que o trabalho à distância já não constitui apenas um privilégio ou estilo de vida. Aliás, desde 2018 que o trabalho remoto e a flexibilidade no local de trabalho se tornaram, oficialmente, numa indústria global.

Apesar de este cenário parecer algo impactante e revolucionário, o que será que isso significa de facto? E quais serão as suas repercussões no futuro do comércio global, tendo em conta que falamos de uma indústria sem fronteiras?

 

De acordo com os padrões de crescimento e o sucesso das atuais empresas “remote-friendly”, e tendo em conta a evolução das economias internacionais, as previsões anuais dividem-se em três pontos-chave:

 

A preparação destes recursos humanos em específico será atualizada

O trabalho a partir de casa ou em espaços de coworking pode ser frutífero, mas requer um novo conjunto de skills e ferramentas para as quais os trabalhadores não são preparados, em ambiente de escritório. É essencial que estes profissionais saibam muito mais acerca de auto-gestão e comunicação assíncrona, do que aqueles que se inserem numa equipa que trabalha conjuntamente, no mesmo espaço.

 

Os governos irão intervir

As primeiras empresas que começaram a operar segundo esta lógica de trabalho retiraram proveito dos baixos custos indiretos e de custos de iniciação praticamente inexistentes. Se, por um lado, estes benefícios são atrativos para os investidores/empresários, estes também são cruciais para o desenvolvimento de infraestruturas económicas. Já no ano passado, os governos começaram a evidenciar o quão sério este assunto se tornou, através da criação de leis que fazem uso desta tipologia de trabalho para solucionar questões como a acessibilidade ao trabalho, a estabilidade económica e as preocupações com a emigração.

Esta tendência terá como consequências o aumento da fiscalização relativa à tributação e ao turismo, ao mesmo tempo que se concebem estratégias de controlo de fronteiras.

 

As empresas irão agilizar as operações como forma de preparação para cenários de emergência

À medida em que os recursos de formação e consultoria evoluem e proliferam, as empresas sentirão um maior suporte neste processo de conversão e rapidamente passarão a usufruir dos benefícios que daí advêm, incluindo os custos indiretos mais controlados e uma maior produtividade. Este contexto poderá ser proveitoso para o ROI dos negócios, como também constituir um fator relevante para o cash flow das empresas, perante uma ameaça de crise ou recessão.

 

Embora seja impossível prever, com precisão, qual será o futuro do trabalho à distância, existe um facto incontornável: se esta tipologia de trabalho – que, na sua fase inicial, constituía apenas uma linguagem tecnológica -, conseguiu transformar-se, de forma tão célere, numa indústria a nível global, podemos estar seguros de que o seu futuro desenvolvimento continuará a ser rápido e mundialmente impactante.

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