Não leias este artigo sentado!

SENTAR É O NOVO FUMAR?

O avanço tecnológico e a crescente migração da população mundial para as cidades obrigam-nos também a uma reavaliação do espaço físico de trabalho.

A tendência galopante de pessoas a trabalhar em regime de freelancing conduziram à emergência de novos locais de trabalho que vieram colmatar as necessidades daí resultantes.

Como resultado de uma passada era industrial, a sociedade outrora nómada viu-se na maioria dos casos confinada a pequenos espaços onde permanece horas a fio sentada em frente a um computador.

Esta prática tem sido apontada como responsável pelo declínio na saúde física e mental e consequente quebra na produtividade e surgem movimentos que defendem a necessidade de quebrar estas práticas e encontrar soluções que as substituam. Uma perspetiva que poderá ser considerada radical e que sustenta o fim da prática de “sentar” será fundamentada abaixo.

O FIM DO SENTAR

 O ser humano é uma espécie bípede e foi aliás essa característica que permitiu aos nossos antepassados evoluir e adotar um estilo de vida nómada e social.

O retrocesso resultante de uma vida sedentária que levamos hoje em dia, de termos passado de um estilo de vida ativo associado à atividade agrícola, para um dia a dia passado entre transportes, confinados a escritórios onde consumimos refeições rápidas e “plásticas”, em que procuramos o conforto e facilitismo, em que nos tornámos preguiçosos. Somos constantemente convidados e impelidos a estar sentados.

ARTE E CIÊNCIA JUNTAS

 Foi na sequência de um desafio lançado por um arquiteto do governo holandês a designers, que surgiu o projeto The End of Sitting, assente na premissa de que o sedentarismo é responsável por diversos problemas de saúde e questionando o ambiente tradicional de um escritório e seus elementos físicos.

Depois de inúmeras experiências em criar novos modelos de cadeiras ergonómicas surgiu o conceito de oferecer posições e atividades de trabalho num ambiente sem cadeiras ou mesas. O propósito deste projeto passou a estar focado no desenvolvimento de um local de trabalho conceptual em que cadeiras e mesas deixam de ser o foco ou mesmo essenciais.

Pesquisas foram assentes no estudo do corpo humano e sua postura e resultaram num processo criativo de desenvolvimento de todo um ambiente de trabalho em torno do que se chama supported standing, uma inclinação vertical do corpo que exercita os músculos passivamente e o suficiente para evitar a queda de enzimas responsáveis por queimar gorduras.

Foi criada uma estrutura tridimensional labiríntica na qual os trabalhadores são encorajados a encontrar o seu lugar num espaço repleto de opções infinitas.

Foi dada aos participantes desta experiência toda a liberdade e não se estabeleceram quaisquer restrições sendo a interação com o espaço completamente livre.

A tridimensionalidade do espaço cria opções posicionais virtualmente infinitas  e incentiva a atividade física proporcionando isolamento ou interação em grupo mediante aquela que será a  escolha de cada um.

A experiência foi monitorizada e os resultados apontam para um maior nível de energia dos participantes. Os intervenientes neste programa esperam que esta experiência conduza a uma mudança radical na forma como encaramos o espaço físico de trabalho no futuro.

UMA QUESTÃO DE INOVAÇÃO

Atualmente as soluções mais próximas são as chamadas standing desks já comercializadas por empresas como o IKEA e a Steelcase.

A opinião presente neste artigo não tem o intuito de ser radical mas apenas de defender a criação de postos de trabalho em conformidade com as nossa “necessidade de ser ativos física, mental, espiritual e socialmente dentro de um ambiente que atualmente nos suprime e nos força a… esperar sentado.” A importância do local de trabalho privilegiar a atividade física e o bem estar permitindo que as pessoas se movimentem é defendido. A mobilidade tecnológica fortalece esta opinião na medida em que deixaram praticamente de haver restrições a conectividade e telefones.

O estudo não revela contudo que esta seja a solução ideal ficando alguns aspetos ainda por solucionar como é o caso da proporção entre “espaço para colaboração e espaço para foco”. O metro quadrado médio por pessoa, por exemplo desceu de 21 para 16 metros quadrados com previsões de continuar a baixar.

Além disto também cerca de metade dos inquiridos mencionou distrair-se com aqueles que tentavam concentrar-se e outra grande percentagem indicou preferir silêncio quando necessitam de concentração fatores estes que questionam a tendência de escritórios em open space.

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